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Filme do dia: Johnny & June (James Mangold)

Sinopse: O diretor James Mangold (Identidade) leva às telas a cinebiografia do cantor Johnny Cash. Com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz. A história do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição, do qual apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, pode salvar. Vale muito conferir!!!
Escrito por Pele Preta às 03h51
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Um samba: Então Leva

Então Leva
(Luiz Carlos da Vila e Bira da Vila)
Leva Tudo aquilo que eu dei Mas não leva Tudo o que eu podia dar
Leva o Van Gogh e o bulldog De raça que eu criei E a medalha que um jogo de malha Nos aproximou
Leva o aparelho de jantar E a baixela de prata E o retrato daquela mulata Que o Lan desenhou
Leva a obra completa De Machado de Assis Entre as curvas e retas Sua bissetriz
Leva o apartamento Que está desocupado Já que não quer mais viver Ao meu lado Então, leva
Leva Tudo aquilo que eu dei Mas não leva Tudo o que eu podia dar
Ia lhe dar sol e terra E casa à beira-mar Num château lá no alto da serra À luz do luar
E ao invés de parabéns Uma bela serenata Com direito a Mar del Plata Cancún e Paris
Leva a sua grandeza Que me fez feliz Leva também a certeza Que eu também lhe fiz
Leva o meu coração Que está desocupado Já que não quer mas viver Ao meu lado
Então, leva
Escrito por Pele Preta às 19h48
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Um poema: Talvez Em Outro Cinema (Eudoro Augusto)

Talvez em Outro Cinema
(À Luciana)
Subitamente no último verão, bem no avesso do verão passado, eu quis você. Estar em você. Amar você sobre todas as coisas, sobre as cascas e os ossos de um solitário momento, belo e maldito como o último verão. Depois todo aquele fogo cai no sono. Faço passeios anestésicos pela região dos lagos, pratico os mais orientais exercícios de paciência, pela serra, pelo cerrado, mas é a mesma bruma. a mesma espuma, névoa, nebulosa estação. Sempre esperando a deixa pra entrar em cena acendendo clift um ar de enigma cool, entre bogart e brando, ao riscar o fósforo e abrir teus olhos mansos à beleza sem rastro de um novo cometa azul.
Escrito por Pele Preta às 19h38
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Seleção de Sambas CD's 35 & 36

SAMBAS (DISCO 36)
01 - Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Bem Jor
02 - Esperanças Perdidas - Lenine
03 - O Bêbado e a Equilibrista - Beth Carvalho
04 - Mormaço - Alcione
05 - Sambou Sambou - Zeca Pagodinho e João Donato
06 - Tristeza Pé nO Chão - Teresa Cristina e Grupo Semente
07 - Resto de Esperança - Jorge Aragão
08 - Uma Prova de Amor - Zeca Pagodinho
09 - Viagem - Jorge Aragão
10 - Salve a Mocidade - Fernanda Abreu
11 - Pressentimento - Roberta Sá
12 - Papel de Pão - Jorge Aragão
13 - Bola Dividida - Diogo Nogueira
14 - O Negócio É Amar - Jorge Aragão
15 - Falsas Juras / Pecadora / Manhã Brasileira - Zeca Pagodinho
16 - Estrela de Madureira - Jorge Aragão
17 - Sorriso Aberto - Leci Brandão
18 - Logo Agora - Jorge Aragão
19 - Sincopado Ensaboado - Zeca Pagadinho
20 - Samba Social Clube - Arlindo Cruz. Marcelinho Moreira e
Grupo Casuarina
21 - Notícia de Jornal - Elizeth Cardoso
22 - Do Fundo do Nosso Quintal - Jorge Aragão
SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)

SAMBAS (DISCO 35)
01- O Meu Nome Já Caiu no Esquecimento / Eu Não Sou
do Morro / Não Deixo Saudade/ Você Me Abandonou /
Quantas Lágrimas - Cristina Buarque e Terreiro Grande
02 - A Comunidade Chora - Beth Carvalho
03 - Inspiração / Banco de Réu / Você Chorou / Lenços Brancos /
Sentimento / Conselho da Mamãe / Brocoió / Quando a Maré /
Confraternização 1 - Cristina Buarque e Terreiro Grande
04 - Morrendo de Saudade - Beth Carvalho
05 - Portela Feliz / Desengano / A Maldade Não Tem Fim / Embrulho
Que Eu Carrego / Vida de Fidalga / Fui Condenado / Teste Ao
Samba / Tu Me Desprezas / Cantar Pra Não Chorar - Cristina
Buarque e Terreiro Grande
06 - Proposta Amorosa - Monarco
07 - Jequitibá / Quem Se Muda Pra Mangueira - Beth Carvalho
08 - Você Pensa Que Eu Me Apaixonei - Monarco
09 - Minha Verdade - D. Ivone Lara
10 - Miragem - Beth Carvalho e Nelson Cavaquinho
11 - Quando A Maré - D. Ivone Lara e Alcides, Malandro Histórico da
Portela
12 - Pecado Capital - Paulinho da Viola
13 - Eu Não Falo Gringo - João Nogueira
14 - Na Aba - Bezerra da Silva
SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)
Escrito por Pele Preta às 19h23
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Seleção de Sambas CD's 37 & 38


SAMBAS (DISCO 37)
01 - Esta Melodia - Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela
02 - Diz Que Fui Por Aí - Elizeth Cardoso
03 - Sede - Sérgio Duboc
04 - O Mar Serenou - Jorge Aragão
05 - Normas da Casa - Zeca Pagodinho
06 - Samba da Rua 8 - Sérgio Duboc
07 - Conselho - Jorge Aragão
08 - O Assassinato do Camarão - Grupo Fundo de Quintal
09 - Arapuca de Poeta - Sérgio Duboc
10 - Não Há Mais Jeito - Zeca Pagodinho
11 - Rei da Asa Norte - Sérgio Duboc
12 - Então Leva - Zeca Pagodinho
13 - Quintal do Céu - Jorge Aragão
14 - Tristeza - Luiz Melodia
15 - Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço - D. Ivone Lara
16 - Anjo de Sorte - Sérgio Duboc
17 - É Preciso Muito Amor - Zeca Pagodinho
18 - Camisa Amarela - Bianca Byington
19 - Menino Deus - Clara Nunes
20 - Não Quero Mais - Bianca Byington
21 - Nome Sagrado - Gabriel Cavalcante
22 - Menor Abandonado - Pedrinho da Flor
23 - Tudo É Ilusão - Clara Nunes
SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)

SAMBAS (DISCO 38)
01 - Abrigo de Vagabundos - Clara Nunes
02 - Mulher Valente É Minha Mãe - João Nogueira
03 - Tem Mais Samba - Chico Buarque
04 - Sofrimento de Quem Ama - Clara Nunes
05 - Serei Teu Ioiô - João Nogueira
06 - Desencontro - Clara Nunes
07 - Parei - Grupo Fundo de Quintal
08 - Quem Te Viu Quem Te Vê - João Nogueira
09 - Vai Lá, Vai Lá - Grupo Fundo de Quintal
10 - Depois de Tanto Amor - Paulinho da Viola
11 - Nunca Mais - D. Ivone Lara
SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)
Escrito por Pele Preta às 19h18
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Oração a São Jorge Guerreiro

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. São Jorge, Rogai por Nós.
Escrito por Pele Preta às 18h59
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Filme do dia: Giordano Bruno (Giuliano Montaldo)

Sinopse: Grande obra do cinema político italiano dos anos 70, o filme fala sobre um dos percursores da ciência moderna, o filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno (1548-1600). Mostra a sua execução na fogueira pela Inquisição, por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica, como o heliocentrismo de Nicolau Copérnico.
Escrito por Pele Preta às 19h09
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Sobre Giordano Bruno (1548-1600)

Giordano Bruno: um homem imerso no seu tempo
Ivy Judensnaider, do Arscientia Janeiro de 2008
A receita já havia sido testada em Sacco & Vanzetti (1971): bastava somar o talento de um diretor engajado do cinema político italiano, o brilho de um ator conhecido por interpretar personagens heróicos, o preciosismo de um mestre da trilha sonora, e uma história que simbolizasse a busca do ser humano por justiça. O filme Giordano Bruno (1973), de Giuliano Montaldo, com trilha sonora de Ennio Morricone e Gian Maria Volonté na pele de Giordano Bruno, repetiu a receita e funcionou com perfeição, de novo.
Na intenção de resumir a trajetória de Giordano Bruno, filósofo e político queimado pela Inquisição em 1600, o texto da capa do DVD explica tratar-se da história de um homem à frente do seu tempo. É um pequeno equívoco: não à frente de seu tempo, mas como típico homem de seu tempo, Giordano é um filósofo que se preocupa com as questões concernentes ao infinito, às relações entre espírito e matéria, entre o macro e o microcosmo. Além de filósofo e mago, é também o político que procura o diálogo com príncipes, reis e rainhas com o intuito de dirimir os conflitos surgidos das diferenças religiosas. Não apenas por suas idéias, que eram semelhantes às de outros filósofos naturais do período, mas pela certeza de poder produzir e operar no mundo, Giordano Bruno representou um perigo à Igreja e por isso foi perseguido e eliminado.
Nascido no reino de Nápoles, em 1548, Giordano viveu numa época em que a Igreja Católica se encontrava em crise, e o mundo sofria com os conflitos entre vários grupos religiosos, várias monarquias européias, e entre as Coroas e a Igreja. Obstinado e inflexível (nas palavras dos autos inquisitórios que o condenaram), Giordano defende que o filósofo é dono do próprio destino, e que a virtude nasce do conhecimento e da razão. Embora frei, e docente religioso, não é na teologia que Giordano busca explicações; é na filosofia, e por isso ele se apresenta como Filósofo, e por isso ele vaga por tantas religiões, discutindo todas, e argumentando que elas não são terreno seguro e firme para o conhecimento do mundo. Nem mesmo o mundo platônico das idéias é algo além de produto da fantasia e, nessa filosofia não há lugar para um Deus criador, judaico ou cristão.
Giordano está em Veneza em 1592, com aproximadamente 44 anos, após a peregrinatio pela Europa que incluiu passagens pela Suíça, França, Alemanha e Londres, e contatos com protestantes, luteranos e ateus. Veneza é, ao final dos Quinhentos, importante centro comercial e, por isso, tolerante e com ares mais liberais do que o restante da Europa católica: ali, até mesmo a Igreja se mostra condescendente. No filme, o diálogo entre um monsenhor romano e um membro da Igreja de Veneza revela: "Veneza é benevolente com os inimigos da religião. Em 100 anos, 1500 Autos de Fé e somente cinco condenações. Em Roma, em cinco anos, 5000 pessoas mortas". Em Veneza a convite de um rico comerciante, Mocenigo, Giordano expressa a esperança que a eleição do papa Clemente VIII possa permitir um retorno seu ao centro da Igreja, em Roma. Depois, Mocenigo será peça fundamental da acusação do Santo Ofício de Veneza, e Giordano efetivamente retornará a Roma: não por mérito, mas para julgamento e execução.
À sua chegada em Veneza, Giordano comparece a uma festa promovida pela amante de Morosino, importante figura política local. Tido como praticante da magia natural, ele explica à mulher que essa é a magia com a qual todas as crianças nascem e que é destruída pelo tempo, "quando começam a rezar". Diz Giordano que se deve "aprender a respirar para redescobrir que as árvores, as pedras, os animais e toda a máquina da Terra têm uma respiração interior, como nós. Têm ossos, veias, carne, como nós". Giordano Bruno procura explicar a magia natural que permite o contato com a respiração cósmica, e que simboliza a alma do mundo em que se baseia sua cosmologia infinitista, magia natural cuja prática é uma entre as oito proposições que acabam por condená-lo à fogueira.
Distinta da magia negra, é a magia natural que tingiu a Renascença com tons mágicos e herméticos, e que procurava entrar em contato com as forças mais elevadas do cosmos. Fruto direto da lenda, essa magia tinha como base o formidável erro histórico envolvendo o Corpus hermeticum, conjunto de obras atribuídas a Hermes Trismegisto, e que se suponha fossem anteriores aos pensadores gregos, embora tivessem sido escritas nos primeiros três séculos depois de Cristo. Estes textos, supostamente exemplares da sabedoria egípcia, haviam se incorporado ao arsenal renascentista após a anuência de autoridades de grande importância (como Agostinho) e, como fontes da prisca theologia, permeariam a filosofia natural de magia e ocultismo. O rico tecido formado pelas ligações entre hermetismo, neoplatonismo e a cabala (tanto cristã quanto judaica) serviria de pano de fundo para a magia natural que supunha poder operar sobre os fenômenos da natureza, percebendo-a não apenas como matéria contínua e homogênea que enche o espaço, mas como uma realidade total dotada de alma. Através de conexões de simpatias ocultas, cada objeto do mundo está ligado ao todo: imerso em pensamento mágico (embora racional e crítico), Giordano Bruno é um mago, da mesma forma como acreditava terem sido Cristo, os Apóstolos e Profetas. Ao longo do filme, são mostradas as conexões que forjariam o modo de pensar tão particular de Giordano e que podem ser estudadas, mais detalhadamente, no belíssimo trabalho da historiadora da ciência Frances Yates, um marco da própria historiografia da ciência. Ao investigar as influências neoplatônicas e hermético-cabalísticas de Giordano, Yates explora a forma bruniana de pensar o Universo e o Homem, concepção essa que, para Alexandre Koyré, é vitalista e mágica, mas "tão pujante e tão profética, tão razoável e tão poética que não podemos deixar de admirar ambos - sua concepção e ele próprio". Exemplar, Giordano foi o típico homem do seu tempo tentando se desvencilhar das amarras do seu próprio tempo.
Giordano Bruno revela com maestria aquilo que a análise detalhada das obras de Giordano nos confirma: bebendo de várias fontes, Giordano enfrentou as dificuldades dos filósofos naturais dos Quinhentos (e de outros, posteriores, dos Seiscentos) em responder às inúmeras questões sobre o conhecimento do ser humano e da natureza, e do movimento da Terra. Copérnico havia dado o primeiro passo (o de mover a Terra e deter a esfera das estrelas fixas) mas, ainda apegado à astronomia medieval, aumentara o mundo sem torná-lo infinito: preferira torná-lo immensum, incomensurável. Embora a historiografia da ciência apresente Thomas Digges como um dos primeiros a inovar e incluir o conceito de infinitude, é Giordano Bruno quem primeiro nos apresenta a idéia de universo descentralizado e infinito. Nesse mundo infinito, não faz o menor sentido falar em centro, da mesma forma que não faz sentido negar a existência de outros mundos através do espaço, mundos de astros-sóis espalhados pelo oceano etéreo do céu. Giordano não apenas afirmou ser impossível atribuir limites ao mundo, mas defendeu - de forma pública e sistemática - que o universo era infinito, já que Deus (o Deus de Bruno, de ilimitada e inimaginável ação criativa) não poderia ter feito de outro modo. Essa infinitude - jamais compreendida pela percepção sensorial, embora para o intelecto ela fosse o mais seguro dos conceitos -, só não seria maior do que a infinitude de Deus, condição necessária para criar um mundo infinito.
Escrito por Pele Preta às 19h02
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continua...
Aos populares e pessoas simples do povo, Giordano explica o que é nuclear no seu pensamento e uma constante nos seus estudos: as artes da memória e da combinação, a ars memoriae e a ars lulliana. "Leite, vaca, grama, prado, chuva, nuvens, céu, astros, Universo. E Deus, se assim quiserem". A natureza é "uma imagem viva de Deus, se assim quiserem, e os padres não têm nada com isso". Giordano, dessa forma, traduz as associações e correspondências entre o mundo animal, vegetal e humano. O conhecimento humano, aqui, é derivado de um sistema mnemônico-combinatório, onde a dinâmica da estrutura simbólica explica a própria natureza, ao mesmo tempo em que com ela interage. Giordano pratica a habilidade discursiva, evoluindo do princípio vital do mundo para o de todos e dos indivíduos. Bruno entende que, no inferno, encontram-se as águas de duas fontes: a de Mnemosýe, da memória, e de Lethe, do esquecimento. Os mortos bebem das duas, ou para esquecer os fatos de quando eram vivos, ou para esquecer do mundo dos mortos ao retornarem as almas para a vida: é sobre a transmigração da alma que ele está pensando, o que posteriormente também será objeto de acusação inquisitorial.
Mocenigo quer aprender a arte da profecia, e Giordano explica a diferença entre a magia natural e a magia negra, "coisa de charlatões". Bruno pratica a magia natural, e não a bruxaria. Ao ensinar a arte da memória, ele pretende transmitir uma forma rápida de conhecer o mundo, oferecendo instrumentos para nele operar. Se o homem é a imagem do universo em miniatura, é através da imaginação e da memória que se podem atingir as verdades ocultas do universo, e não há bruxaria alguma nisso. Não à toa, o filme mostra Giordano manipulando cartas semelhantes ao Tarot de Marselha. Afinal, o Tarot é também parte da arte mnemônica e Giordano, como outros filósofos naturais interessados na construção de sistemas lógicos e simbólicos, acabaria por desenhar o seu próprio jogo de cartas, composto por 67 figuras e 48 imagens arquetípicas do Zodiáco e de demônios decanos. Giordano só pode ensinar a arte da memória: Mocenigo se revolta, e denuncia Bruno à Igreja de Veneza que, em função da pressão de Roma, para lá o envia.
Giordano Bruno reproduz o período de inquisição do filósofo: são mais de sete anos em cárcere privado, com interrogatórios constantes e torturas. O Santo Ofício está dividido, e nem todos estão de acordo com a punição a Giordano. Ao final, prevalece a ala mais conservadora: Giordano é condenado por escrever contra o Papa e a Igreja, colocar em dúvida a virgindade de Maria, negar a transubstanciação da carne, afirmar que Cristo era apenas um mago, defender a existência de mundos inúmeros e eternos, afirmar que a Terra gira em torno do Sol, crer na reencarnação e não no inferno, e defender a magia como prática lícita. Incapaz de assumir a ordem de execução, o Santo Ofício transfere a responsabilidade para o braço secular de Roma. Afinal, "a Igreja não permite derramamento de sangue".
O Santo Ofício lhe oferece a vida em troca de uma retratação pública. Giordano já abjurara em Veneza, na esperança de poder continuar escrevendo e transitando livremente. Em Roma, porém, abjurar significa enterrar-se vivo. Ele rejeita a concessão. "Não devo crer que deva desprezar a vida. Ou que não tenha medo. Contra a loucura do sangue e da morte, a natureza grita em voz alta que a matéria e Formas não devem temer a morte, por que matéria e Formas são princípios constantes. A eternidade do Todo compreende o Universo. E é tudo e de todos. Em todos os lugares e pontos. E eu amo a vida". Sua morte não encerra uma existência anacrônica. Não por estar adiante do seu tempo, mas por pertencer a ele, Giordano é amordaçado, e queimado vivo.
Fonte: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=929
Escrito por Pele Preta às 19h01
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Sugestão musical do dia: Maysa

Maysa nasceu em uma família rica e tradicional, e casou aos 18 anos com um herdeiro da milionária família paulista Matarazzo, 20 anos mais velho que ela. Desde antes do casamento já compunha e tocava piano, e mesmo depois continuou cantando suas músicas em festinhas íntimas de amigos. Quando um produtor musical a ouviu, quis contratá-la imediatamente para gravar um disco, mas Maysa, que estava grávida, pediu que esperasse o nascimento do filho. Afinal saiu "Convite para Ouvir Maysa", em quatro volumes, entre 1956 e 59, pela RGE, com os sucessos "Ouça", "Adeus" e "Meu Mundo Caiu".
Tornou-se uma estrela, para desgosto da família do marido, e separou-se pouco depois, ficando abalada e deprimida com o fato. Suas músicas, já tradicionalmente de "fossa", tornaram-se ainda mais melancólicas, o que pode ser facilmente observável apenas pelo título de alguns de seus maiores sucessos: "Felicidade Infeliz" (Maysa), "Solidão" (Antônio Bruno), "Bom dia, Tristeza" (Adoniran Barbosa/ Vinicius de Moraes), "Tristeza" (Haroldo Lobo/ Niltinho), "Ne Me Quite Pas" (Jacques Brel)e "Bloco da Solidão" (Jair Amorim/ Evaldo Gouveia). Mudou-se para o Rio em 1960, quando gravou o disco "O Barquinho", um marco da bossa nova, acompanhada pelo embrião do Tamba Trio, e passou a gravar e excursionar por outros países, animada principalmente por Ronaldo Bôscoli, seu namorado na época. Com uma vida sempre agitada por casos amorosos e problemas com bebida, Maysa gravou alguns dos discos mais importantes da bossa nova e da música romântica brasileira. Seus sucessos incluem "Meditação" (Tom Jobim/ Newton Mendonça), Dindi (Jobim/ Aloysio de Oliveira), "Se Todos Fossem Iguais a Você" (Jobim/ Moraes).
Fonte: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/maysa.asp
Escrito por Pele Preta às 14h51
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Raul de Xangô lança livro no Feitiço Mineiro, terça (02)

Escrito por Pele Preta às 15h54
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Dia Nacional do Samba na Rodoviária de Brasília

Dia 02 de dezembro (próxima terça-feira) o Brasil inteiro comemora o Dia Nacional do Samba e Brasília não pode ficar fora desta festa!!!
GRANDE RODA DE SAMBA NA PLATAFORMA INFERIOR DA RODOVIÁRIA DO PLANO PILOTO A PARTIR DAS 16:00 h, com
entrada franca.
Presenças confirmadas: Grupo Adora-Roda, Sérgio Magalhães, Carlos Elias, Grupo Amor Maior, Damas de Ouro, Cris Pereira, Ana Reis e Regional Diplomatas, Luciano Ibiapina e Samba Cinco, Kiki Oliveira e Grupo Tamarineira, Rosemaria , Grupo Cadência Bonita, Teresa Lopes, Grupo Gameleira, Kris Maciel e Grupo Regra Três e muito mais.
Participe!!!
"Seja sambista também!"
Maiores Informações:
(61) 9293.1685 / (61) 9979.3002 (61) 9272.8801
Escrito por Pele Preta às 15h42
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50 Anos da REVOLUÇÃO CUBANA no Café da Rua 8, sábado (13)
A Festa
Companheiros R evolucionários:
Dia 13.12.2008, sábado, a partir das 20:30 h, estaremos comemorando antecipadamente os 50 Anos do Triunfo da Revolução Cubana, com muita festa, alegria e confraternização, no Café da Rua 8 (408 Norte Bloco "B", Loja 20 , telefone: 3347 8334), em parceria com a Associação de Cubanos Residentes no Brasil "José Martí" - ANCREB, Movimento de Solidariedade à CUBA e o Núcleo de Estudos Cubanos da UnB - NESCUBA.
A nossa Festa Cubana vai contar com uma decoração especial, música cubana ao vivo com o cantor, compositor e violonista Márcio Bomfim acompanhado de Rodrigo Hernandéz e Jorge Macarrão , música mecânica com muita salsa para dançar com um DJ especialmente convidado , exibição de filmes e vídeos em telão, poesia latina, dois pratos cubanos - Ropa Vieja e Arroz Con Gris - feitos especialmente para a ocasião a preços de custo (R$ 10,00), tostones e mariquitas como tira-gostos, muito mojito (R$ 5,00 - em promoção somente neste dia) e , desta vez, não haverá cobrança de couvert.
Representantes das Embaixadas de Cuba e Venezuela também estarão presentes. Confirme sua presença e, se quiser, compareça vestindo sua camiseta em homenagem à Cuba, à Revolução, ao Che Guevara ou a qualquer outro herói ou movimento revolucionário de sua escolha, o importante é você se fazer presente. Até lá !!!
Sônia, Sol Elena e Pablo Fuentes
Escrito por Pele Preta às 17h44
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Marchinha para O PACOTÃO 2009

Charles Preto (Presidente de Honra da Sociedade Armorial Patafísica e Rusticana O PACOTÃO)
Marchinha do PACOTÃO 2009
29 Não É 2009
Autores: Paulão de Varadero, Soninha do Samba e Jamelão Joe
A Bolsa de Wall Street caiu
Eu vou alavancar sua poupança
Vou botar tudo no seu fundo
E alimentar sua esperança
Quando a Bolsa sobe
Só quem ganha é o banqueiro
Mas quando a Bolsa cai (ui!!!) ]
Ela leva todo o meu dinheiro ]
Ô FED, não pode
Perdi na Bolsa o meu Ford Bigode
Ô FED, não pode
29 Não É 2009
Escrito por Pele Preta às 17h12
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Um poema: Os Olhos Azuis de Mamãe (Paulão de Varadero)

(Paulão de Varadero)
Os Olhos Azuis de Mamãe
(Paulão de Varadero)
Silêncio no mundo... Há uma tristeza profunda na manhã Como eram tristes aqueles negros De Nova Orleans e Saint Louis Quando à noite cantavam seus blues É que o olhar piedoso de mamãe Os seus meigos olhos azuis Não brilham mais.., Mas ficaram tão serenos, em paz Que ainda refletem uma luz É como se estivessem serenos Pois fitassem os olhos de Deus E o céu fosse uma serena lagoa azul Nuvens branquíssimas pintassem o céu Ao sol, cisnes passeassem solenes, ao léu O olhar sereno e doce de mamãe Tal qual o som suave de um blues Como um bálsamo, um baião na sanfona de Luis Me aliviaram a tristeza e a dor Porque serena, em silêncio, mamãe sonha no céu Como papai, Jackson do Pandeiro e tia Almira, mamãe jaz!
Escrito por Pele Preta às 18h55
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Avacalhando o Vocal no Café da Rua 8, sexta (14)

Escrito por Pele Preta às 18h52
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Quem governará as 77 maiores cidades do país (Blog do Noblat)
Quem governará as 77 maiores cidades do país

Escrito por Pele Preta às 14h07
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Informativo Financeiro

INFORMATIVO FINANCEIRO
Uma vez, num vilarejo do interior, apareceu um homem anunciando aos aldeões que compraria burros por R$ 10,00 cada. Os aldeões sabendo que havia muitos burros na região, iniciaram a caça aos burros.
O homem comprou centenas de burros a R$ 10,00 e então os aldeões diminuíram seu esforço na caça Então o homem anunciou que agora pagaria R$ 20,00 por cada burro e os aldeões renovaram seus esforços e foram novamente à caça.
Logo, os burros foram escasseando cada vez mais e os aldeões foram desistindo da busca. A oferta aumentou para R$ 25,00 e a quantidade de burros ficou tão pequena que já não havia mais interesse na caça.
O homem então anunciou que agora compraria cada burro por R$ 50,00! Entretanto, como iria à cidade grande, deixaria seu assistente cuidando da compra dos burros.
Na ausência do homem, seu assistente disse aos aldeões:
- Estão vendo todos estes burros que o homem vos comprou? Eu posso vendê-los por R$ 35,00 a vocês e quando o homem voltar da cidade, vocês podem vender-lhos de volta por R$50,00 cada.
Os aldeões, espertos, pegaram em todas as suas economias e compraram todos os burros ao assistente.
Eles nunca mais viram o homem ou seu assistente, somente burros por todos os lados.
Qualquer semelhança com o mercado de ações não é mera coincidência...
Escrito por Pele Preta às 15h22
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Um Samba Enredo: Chica da Silva

Chica da Silva (Anescar e Noel Rosa de Oliveira) (G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro - 1963) Apesar... de não possuir grande beleza Chica da Silva surgiu no seio da mais alta nobreza O contratador, João Fernandes de Oliveira A comprou para ser sua companheira E a mulata, que era escrava Sentiu forte transformação Trocando o gemido da senzala Pela fidalguia do salão Com a influencia e poder do seu amor Que superou a barreira da cor Francisca da Silva do cativeiro zombou No Arraial do Tijuco Lá no estado de Minas Hoje lendária cidade Seu lindo nome é Diamantina Onde viveu a Chica, que manda Deslumbrando a sociedade Com orgulho e capricho da mulata Importante majestosa invejada Para que a vida lhe tornasse mais bela João Fernandes de Oliveira Mandou construir um vasto lago E uma belíssima galera E uma riquíssima liteira Para conduzi-la Quando ia assistir à missa na capela
Categoria: Um samba
Escrito por Pele Preta às 15h04
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Sugestão musical do dia: Contrastes (Jards Macalé)

Contrastes é um disco de 1977, Jards Macalé, onde, além de canções próprias, Macalé faz uma releitura bastante original de um clássico do samba, que dá nome ao disco, de autoria de Ismael Silva. O disco é antológico, um dos melhores da carreira de quase 40 de Jards Macalé (ex-maldito). O cd tem choro, samba, blues entre outros gêneros. Relançado em cd é peça obrigatória em qualquer boa coleção de música popular brasileira. No repertório Contrastes, Sem Essa, Poema da Rosa, Balck and Blue, Sim ou Não, O Conto do Pintor, Negra Melodia, Choro de Archanjo, Cachorro, Barucho, Garoto, Passarinho do Relógio e No Meio do Mato.
Categoria: Sugestão musical do dia
Escrito por Pele Preta às 15h15
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