Pele Preta


Filme do dia: Johnny & June (James Mangold)

 

Sinopse: O diretor James Mangold (Identidade) leva às telas a cinebiografia do cantor Johnny Cash. Com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz. A história do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição, do qual apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, pode salvar. Vale muito conferir!!!



Escrito por Pele Preta às 03h51
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Filme do dia: Johnny & June (James Mangold)

 

Sinopse: O diretor James Mangold (Identidade) leva às telas a cinebiografia do cantor Johnny Cash. Com Joaquin Phoenix e Reese Whiterspoon. Vencedor do Oscar de Melhor Atriz. A história do cantor Johnny Cash (Joaquin Phoenix), desde sua juventude em uma fazenda de algodão até o início do sucesso em Memphis, onde gravou com Elvis Presley, Johnny Lee Lewis e Carl Perkins. Sua personalidade marginal e a infância tumultuada fazem com que Johnny entre em um caminho de auto-destruição, do qual apenas June Carter (Reese Whiterspoon), o grande amor de sua vida, pode salvar. Vale muito conferir!!!



Escrito por Pele Preta às 03h51
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Um samba: Então Leva

 

 

Então Leva

(Luiz Carlos da Vila e Bira da Vila)

Leva
Tudo aquilo que eu dei
Mas não leva
Tudo o que eu podia dar

Leva o Van Gogh e o bulldog
De raça que eu criei
E a medalha que um jogo de malha
Nos aproximou

Leva o aparelho de jantar
E a baixela de prata
E o retrato daquela mulata
Que o Lan desenhou

Leva a obra completa
De Machado de Assis
Entre as curvas e retas
Sua bissetriz

Leva o apartamento
Que está desocupado
Já que não quer mais viver
Ao meu lado
Então, leva

Leva
Tudo aquilo que eu dei
Mas não leva
Tudo o que eu podia dar

Ia lhe dar sol e terra
E casa à beira-mar
Num château lá no alto da serra
À luz do luar

E ao invés de parabéns
Uma bela serenata
Com direito a Mar del Plata
Cancún e Paris

Leva a sua grandeza
Que me fez feliz
Leva também a certeza
Que eu também lhe fiz

Leva o meu coração
Que está desocupado
Já que não quer mas viver
Ao meu lado

Então, leva



Escrito por Pele Preta às 19h48
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Um poema: Talvez Em Outro Cinema (Eudoro Augusto)

 

Talvez em Outro Cinema

(À Luciana)

Subitamente no último verão,
bem no avesso do verão passado,
eu quis você. Estar em você. Amar você sobre todas
as coisas, sobre as cascas e os ossos
de um solitário momento,
belo e maldito como o último verão.
Depois todo aquele fogo cai no sono.
Faço passeios anestésicos pela região dos lagos,
pratico os mais orientais exercícios de paciência,
pela serra, pelo cerrado, mas é a mesma bruma.
a mesma espuma, névoa, nebulosa estação.
Sempre esperando a deixa pra entrar em cena
acendendo clift um ar de enigma cool,
entre bogart e brando,
ao riscar o fósforo e abrir teus olhos mansos
à beleza sem rastro de um novo cometa azul.



Escrito por Pele Preta às 19h38
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Seleção de Sambas CD's 35 & 36

  

SAMBAS (DISCO 36)

 

 01 -  Ogum - Zeca Pagodinho e Jorge Bem Jor

02 - Esperanças Perdidas - Lenine

03 - O Bêbado e a Equilibrista - Beth Carvalho

04 - Mormaço - Alcione

05 - Sambou Sambou - Zeca Pagodinho e João Donato

06 - Tristeza Pé nO Chão - Teresa Cristina e Grupo Semente

07 - Resto de Esperança - Jorge Aragão

08 - Uma Prova de Amor - Zeca Pagodinho

09 -  Viagem - Jorge Aragão

10 - Salve a Mocidade - Fernanda Abreu

11 - Pressentimento - Roberta Sá

12 - Papel de Pão - Jorge Aragão

13 -  Bola Dividida - Diogo Nogueira

14 - O Negócio É Amar - Jorge Aragão

15 - Falsas Juras / Pecadora / Manhã Brasileira - Zeca Pagodinho

16 - Estrela de Madureira - Jorge Aragão

17 - Sorriso Aberto - Leci Brandão

18 - Logo Agora - Jorge Aragão

19 - Sincopado Ensaboado - Zeca Pagadinho

20 - Samba Social Clube - Arlindo Cruz. Marcelinho Moreira e

        Grupo Casuarina

21 - Notícia de Jornal - Elizeth Cardoso

22 - Do Fundo do Nosso Quintal - Jorge Aragão

 SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)

 

  

 

 

SAMBAS (DISCO 35)

01- O Meu Nome Já Caiu no Esquecimento / Eu Não Sou

        do Morro / Não Deixo Saudade/ Você Me Abandonou /

        Quantas Lágrimas - Cristina Buarque e Terreiro Grande

02 - A Comunidade Chora - Beth Carvalho

03 - Inspiração / Banco de Réu / Você Chorou / Lenços Brancos /

        Sentimento / Conselho da Mamãe / Brocoió / Quando a Maré /

        Confraternização 1 - Cristina Buarque e Terreiro Grande

04 - Morrendo de Saudade - Beth Carvalho

05 - Portela Feliz / Desengano / A Maldade Não Tem Fim / Embrulho

        Que Eu Carrego / Vida de Fidalga / Fui Condenado / Teste Ao

        Samba / Tu Me Desprezas / Cantar Pra Não Chorar - Cristina

        Buarque e Terreiro Grande

06 - Proposta Amorosa - Monarco

07 - Jequitibá / Quem Se Muda Pra Mangueira - Beth Carvalho

08 - Você Pensa Que Eu Me Apaixonei - Monarco

09 - Minha Verdade - D. Ivone Lara

10 - Miragem - Beth Carvalho e Nelson Cavaquinho

11 - Quando A Maré - D. Ivone Lara e Alcides, Malandro Histórico da

        Portela

12 - Pecado Capital - Paulinho da Viola

13 - Eu Não Falo Gringo - João Nogueira

14 - Na Aba - Bezerra da Silva

SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)

 



Escrito por Pele Preta às 19h23
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Seleção de Sambas CD's 37 & 38

 

 

SAMBAS (DISCO 37)

 

01 - Esta Melodia - Zeca Pagodinho e Velha Guarda da Portela

02 - Diz Que Fui Por Aí - Elizeth Cardoso

03 - Sede - Sérgio Duboc

04 - O Mar Serenou - Jorge Aragão

05 - Normas da Casa - Zeca Pagodinho

06 - Samba da Rua 8 - Sérgio Duboc

07 - Conselho - Jorge Aragão

08 - O Assassinato do Camarão - Grupo Fundo de Quintal

09 - Arapuca de Poeta - Sérgio Duboc

10 - Não Há Mais Jeito - Zeca Pagodinho

11 - Rei da Asa Norte - Sérgio Duboc

12 - Então Leva - Zeca Pagodinho

13 - Quintal do Céu - Jorge Aragão

14 - Tristeza - Luiz Melodia

15 - Mas Quem Disse Que Eu Te Esqueço - D. Ivone Lara

16 - Anjo de Sorte - Sérgio Duboc

17 - É Preciso Muito Amor - Zeca Pagodinho

18 - Camisa Amarela - Bianca Byington

19 - Menino Deus - Clara Nunes

20 - Não Quero Mais - Bianca Byington

21 - Nome Sagrado - Gabriel Cavalcante

22 - Menor Abandonado - Pedrinho da Flor

23 - Tudo É Ilusão - Clara Nunes

SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)

 

 

 

SAMBAS (DISCO 38)

 

01 - Abrigo de Vagabundos - Clara Nunes

02 - Mulher Valente É Minha Mãe - João Nogueira

03 - Tem Mais Samba - Chico Buarque

04 - Sofrimento de Quem Ama - Clara Nunes

05 - Serei Teu Ioiô - João Nogueira

06 - Desencontro - Clara Nunes

07 - Parei - Grupo Fundo de Quintal

08 - Quem Te Viu Quem Te Vê - João Nogueira

09 - Vai Lá, Vai Lá - Grupo Fundo de Quintal

10 - Depois de Tanto Amor - Paulinho da Viola

11  - Nunca Mais - D. Ivone Lara  

SELEÇÃO de Sônia Palhares (sem direitos comerciais)



Escrito por Pele Preta às 19h18
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Oração a São Jorge Guerreiro

 

 

 

Eu andarei vestido e armado com as armas de São Jorge para que meus inimigos, tendo pés não me alcancem, tendo mãos não me peguem, tendo olhos não me vejam, e nem em pensamentos eles possam me fazer mal. Armas de fogo o meu corpo não alcançarão, facas e lanças se quebrem sem o meu corpo tocar, cordas e correntes se arrebentem sem o meu corpo amarrar. Jesus Cristo, me proteja e me defenda com o poder de sua santa e divina graça, Virgem de Nazaré, me cubra com o seu manto sagrado e divino, protegendo-me em todas as minhas dores e aflições, e Deus, com sua divina misericórdia e grande poder, seja meu defensor contra as maldades e perseguições dos meu inimigos. Glorioso São Jorge, em nome de Deus, estenda-me o seu escudo e as suas poderosas armas, defendendo-me com a sua força e com a sua grandeza, e que debaixo das patas de seu fiel ginete meus inimigos fiquem humildes e submissos a vós. Assim seja com o poder de Deus, de Jesus e da falange do Divino Espírito Santo. São Jorge, Rogai por Nós.



Escrito por Pele Preta às 18h59
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Filme do dia: Giordano Bruno (Giuliano Montaldo)

 

Sinopse: Grande obra do cinema político italiano dos anos 70, o filme fala sobre um dos percursores da ciência moderna, o filósofo, astrônomo e matemático Giordano Bruno (1548-1600). Mostra a sua execução na fogueira pela Inquisição, por causa de suas teorias contrárias aos dogmas da Igreja Católica, como o heliocentrismo de Nicolau Copérnico.



Escrito por Pele Preta às 19h09
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Sobre Giordano Bruno (1548-1600)

 

 

 

Giordano Bruno: um homem imerso no seu tempo

Ivy Judensnaider, do Arscientia
Janeiro de 2008

A receita já havia sido testada em Sacco & Vanzetti (1971): bastava somar o talento de um diretor engajado do cinema político italiano, o brilho de um ator conhecido por interpretar personagens heróicos, o preciosismo de um mestre da trilha sonora, e uma história que simbolizasse a busca do ser humano por justiça. O filme Giordano Bruno (1973), de Giuliano Montaldo, com trilha sonora de Ennio Morricone e Gian Maria Volonté na pele de Giordano Bruno, repetiu a receita e funcionou com perfeição, de novo.

Na intenção de resumir a trajetória de Giordano Bruno, filósofo e político queimado pela Inquisição em 1600, o texto da capa do DVD explica tratar-se da história de um homem à frente do seu tempo. É um pequeno equívoco: não à frente de seu tempo, mas como típico homem de seu tempo, Giordano é um filósofo que se preocupa com as questões concernentes ao infinito, às relações entre espírito e matéria, entre o macro e o microcosmo. Além de filósofo e mago, é também o político que procura o diálogo com príncipes, reis e rainhas com o intuito de dirimir os conflitos surgidos das diferenças religiosas. Não apenas por suas idéias, que eram semelhantes às de outros filósofos naturais do período, mas pela certeza de poder produzir e operar no mundo, Giordano Bruno representou um perigo à Igreja e por isso foi perseguido e eliminado.

Nascido no reino de Nápoles, em 1548, Giordano viveu numa época em que a Igreja Católica se encontrava em crise, e o mundo sofria com os conflitos entre vários grupos religiosos, várias monarquias européias, e entre as Coroas e a Igreja. Obstinado e inflexível (nas palavras dos autos inquisitórios que o condenaram), Giordano defende que o filósofo é dono do próprio destino, e que a virtude nasce do conhecimento e da razão. Embora frei, e docente religioso, não é na teologia que Giordano busca explicações; é na filosofia, e por isso ele se apresenta como Filósofo, e por isso ele vaga por tantas religiões, discutindo todas, e argumentando que elas não são terreno seguro e firme para o conhecimento do mundo. Nem mesmo o mundo platônico das idéias é algo além de produto da fantasia e, nessa filosofia não há lugar para um Deus criador, judaico ou cristão.

Giordano está em Veneza em 1592, com aproximadamente 44 anos, após a peregrinatio pela Europa que incluiu passagens pela Suíça, França, Alemanha e Londres, e contatos com protestantes, luteranos e ateus. Veneza é, ao final dos Quinhentos, importante centro comercial e, por isso, tolerante e com ares mais liberais do que o restante da Europa católica: ali, até mesmo a Igreja se mostra condescendente. No filme, o diálogo entre um monsenhor romano e um membro da Igreja de Veneza revela: "Veneza é benevolente com os inimigos da religião. Em 100 anos, 1500 Autos de Fé e somente cinco condenações. Em Roma, em cinco anos, 5000 pessoas mortas". Em Veneza a convite de um rico comerciante, Mocenigo, Giordano expressa a esperança que a eleição do papa Clemente VIII possa permitir um retorno seu ao centro da Igreja, em Roma. Depois, Mocenigo será peça fundamental da acusação do Santo Ofício de Veneza, e Giordano efetivamente retornará a Roma: não por mérito, mas para julgamento e execução.

À sua chegada em Veneza, Giordano comparece a uma festa promovida pela amante de Morosino, importante figura política local. Tido como praticante da magia natural, ele explica à mulher que essa é a magia com a qual todas as crianças nascem e que é destruída pelo tempo, "quando começam a rezar". Diz Giordano que se deve "aprender a respirar para redescobrir que as árvores, as pedras, os animais e toda a máquina da Terra têm uma respiração interior, como nós. Têm ossos, veias, carne, como nós". Giordano Bruno procura explicar a magia natural que permite o contato com a respiração cósmica, e que simboliza a alma do mundo em que se baseia sua cosmologia infinitista, magia natural cuja prática é uma entre as oito proposições que acabam por condená-lo à fogueira.

Distinta da magia negra, é a magia natural que tingiu a Renascença com tons mágicos e herméticos, e que procurava entrar em contato com as forças mais elevadas do cosmos. Fruto direto da lenda, essa magia tinha como base o formidável erro histórico envolvendo o Corpus hermeticum, conjunto de obras atribuídas a Hermes Trismegisto, e que se suponha fossem anteriores aos pensadores gregos, embora tivessem sido escritas nos primeiros três séculos depois de Cristo. Estes textos, supostamente exemplares da sabedoria egípcia, haviam se incorporado ao arsenal renascentista após a anuência de autoridades de grande importância (como Agostinho) e, como fontes da prisca theologia, permeariam a filosofia natural de magia e ocultismo. O rico tecido formado pelas ligações entre hermetismo, neoplatonismo e a cabala (tanto cristã quanto judaica) serviria de pano de fundo para a magia natural que supunha poder operar sobre os fenômenos da natureza, percebendo-a não apenas como matéria contínua e homogênea que enche o espaço, mas como uma realidade total dotada de alma. Através de conexões de simpatias ocultas, cada objeto do mundo está ligado ao todo: imerso em pensamento mágico (embora racional e crítico), Giordano Bruno é um mago, da mesma forma como acreditava terem sido Cristo, os Apóstolos e Profetas. Ao longo do filme, são mostradas as conexões que forjariam o modo de pensar tão particular de Giordano e que podem ser estudadas, mais detalhadamente, no belíssimo trabalho da historiadora da ciência Frances Yates, um marco da própria historiografia da ciência. Ao investigar as influências neoplatônicas e hermético-cabalísticas de Giordano, Yates explora a forma bruniana de pensar o Universo e o Homem, concepção essa que, para Alexandre Koyré, é vitalista e mágica, mas "tão pujante e tão profética, tão razoável e tão poética que não podemos deixar de admirar ambos - sua concepção e ele próprio". Exemplar, Giordano foi o típico homem do seu tempo tentando se desvencilhar das amarras do seu próprio tempo.

Giordano Bruno revela com maestria aquilo que a análise detalhada das obras de Giordano nos confirma: bebendo de várias fontes, Giordano enfrentou as dificuldades dos filósofos naturais dos Quinhentos (e de outros, posteriores, dos Seiscentos) em responder às inúmeras questões sobre o conhecimento do ser humano e da natureza, e do movimento da Terra. Copérnico havia dado o primeiro passo (o de mover a Terra e deter a esfera das estrelas fixas) mas, ainda apegado à astronomia medieval, aumentara o mundo sem torná-lo infinito: preferira torná-lo immensum, incomensurável. Embora a historiografia da ciência apresente Thomas Digges como um dos primeiros a inovar e incluir o conceito de infinitude, é Giordano Bruno quem primeiro nos apresenta a idéia de universo descentralizado e infinito. Nesse mundo infinito, não faz o menor sentido falar em centro, da mesma forma que não faz sentido negar a existência de outros mundos através do espaço, mundos de astros-sóis espalhados pelo oceano etéreo do céu. Giordano não apenas afirmou ser impossível atribuir limites ao mundo, mas defendeu - de forma pública e sistemática - que o universo era infinito, já que Deus (o Deus de Bruno, de ilimitada e inimaginável ação criativa) não poderia ter feito de outro modo. Essa infinitude - jamais compreendida pela percepção sensorial, embora para o intelecto ela fosse o mais seguro dos conceitos -, só não seria maior do que a infinitude de Deus, condição necessária para criar um mundo infinito.



Escrito por Pele Preta às 19h02
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continua...

Aos populares e pessoas simples do povo, Giordano explica o que é nuclear no seu pensamento e uma constante nos seus estudos: as artes da memória e da combinação, a ars memoriae e a ars lulliana. "Leite, vaca, grama, prado, chuva, nuvens, céu, astros, Universo. E Deus, se assim quiserem". A natureza é "uma imagem viva de Deus, se assim quiserem, e os padres não têm nada com isso". Giordano, dessa forma, traduz as associações e correspondências entre o mundo animal, vegetal e humano. O conhecimento humano, aqui, é derivado de um sistema mnemônico-combinatório, onde a dinâmica da estrutura simbólica explica a própria natureza, ao mesmo tempo em que com ela interage. Giordano pratica a habilidade discursiva, evoluindo do princípio vital do mundo para o de todos e dos indivíduos. Bruno entende que, no inferno, encontram-se as águas de duas fontes: a de Mnemosýe, da memória, e de Lethe, do esquecimento. Os mortos bebem das duas, ou para esquecer os fatos de quando eram vivos, ou para esquecer do mundo dos mortos ao retornarem as almas para a vida: é sobre a transmigração da alma que ele está pensando, o que posteriormente também será objeto de acusação inquisitorial.

Mocenigo quer aprender a arte da profecia, e Giordano explica a diferença entre a magia natural e a magia negra, "coisa de charlatões". Bruno pratica a magia natural, e não a bruxaria. Ao ensinar a arte da memória, ele pretende transmitir uma forma rápida de conhecer o mundo, oferecendo instrumentos para nele operar. Se o homem é a imagem do universo em miniatura, é através da imaginação e da memória que se podem atingir as verdades ocultas do universo, e não há bruxaria alguma nisso. Não à toa, o filme mostra Giordano manipulando cartas semelhantes ao Tarot de Marselha. Afinal, o Tarot é também parte da arte mnemônica e Giordano, como outros filósofos naturais interessados na construção de sistemas lógicos e simbólicos, acabaria por desenhar o seu próprio jogo de cartas, composto por 67 figuras e 48 imagens arquetípicas do Zodiáco e de demônios decanos. Giordano só pode ensinar a arte da memória: Mocenigo se revolta, e denuncia Bruno à Igreja de Veneza que, em função da pressão de Roma, para lá o envia.

Giordano Bruno reproduz o período de inquisição do filósofo: são mais de sete anos em cárcere privado, com interrogatórios constantes e torturas. O Santo Ofício está dividido, e nem todos estão de acordo com a punição a Giordano. Ao final, prevalece a ala mais conservadora: Giordano é condenado por escrever contra o Papa e a Igreja, colocar em dúvida a virgindade de Maria, negar a transubstanciação da carne, afirmar que Cristo era apenas um mago, defender a existência de mundos inúmeros e eternos, afirmar que a Terra gira em torno do Sol, crer na reencarnação e não no inferno, e defender a magia como prática lícita. Incapaz de assumir a ordem de execução, o Santo Ofício transfere a responsabilidade para o braço secular de Roma. Afinal, "a Igreja não permite derramamento de sangue".

O Santo Ofício lhe oferece a vida em troca de uma retratação pública. Giordano já abjurara em Veneza, na esperança de poder continuar escrevendo e transitando livremente. Em Roma, porém, abjurar significa enterrar-se vivo. Ele rejeita a concessão. "Não devo crer que deva desprezar a vida. Ou que não tenha medo. Contra a loucura do sangue e da morte, a natureza grita em voz alta que a matéria e Formas não devem temer a morte, por que matéria e Formas são princípios constantes. A eternidade do Todo compreende o Universo. E é tudo e de todos. Em todos os lugares e pontos. E eu amo a vida". Sua morte não encerra uma existência anacrônica. Não por estar adiante do seu tempo, mas por pertencer a ele, Giordano é amordaçado, e queimado vivo.

Fonte: http://www.novae.inf.br/site/modules.php?name=Conteudo&pid=929



Escrito por Pele Preta às 19h01
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Sugestão musical do dia: Maysa

maysa.jpg

 

Maysa nasceu em uma família rica e tradicional, e casou aos 18 anos com um herdeiro da milionária família paulista Matarazzo, 20 anos mais velho que ela. Desde antes do casamento já compunha e tocava piano, e mesmo depois continuou cantando suas músicas em festinhas íntimas de amigos. Quando um produtor musical a ouviu, quis contratá-la imediatamente para gravar um disco, mas Maysa, que estava grávida, pediu que esperasse o nascimento do filho. Afinal saiu "Convite para Ouvir Maysa", em quatro volumes, entre 1956 e 59, pela RGE, com os sucessos "Ouça", "Adeus" e "Meu Mundo Caiu".

Tornou-se uma estrela, para desgosto da família do marido, e separou-se pouco depois, ficando abalada e deprimida com o fato. Suas músicas, já tradicionalmente de "fossa", tornaram-se ainda mais melancólicas, o que pode ser facilmente observável apenas pelo título de alguns de seus maiores sucessos: "Felicidade Infeliz" (Maysa), "Solidão" (Antônio Bruno), "Bom dia, Tristeza" (Adoniran Barbosa/ Vinicius de Moraes), "Tristeza" (Haroldo Lobo/ Niltinho), "Ne Me Quite Pas" (Jacques Brel)e "Bloco da Solidão" (Jair Amorim/ Evaldo Gouveia). Mudou-se para o Rio em 1960, quando gravou o disco "O Barquinho", um marco da bossa nova, acompanhada pelo embrião do Tamba Trio, e passou a gravar e excursionar por outros países, animada principalmente por Ronaldo Bôscoli, seu namorado na época. Com uma vida sempre agitada por casos amorosos e problemas com bebida, Maysa gravou alguns dos discos mais importantes da bossa nova e da música romântica brasileira. Seus sucessos incluem "Meditação" (Tom Jobim/ Newton Mendonça), Dindi (Jobim/ Aloysio de Oliveira), "Se Todos Fossem Iguais a Você" (Jobim/ Moraes).

Fonte: http://cliquemusic.uol.com.br/artistas/maysa.asp



Escrito por Pele Preta às 14h51
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